Terça-feira, 26 de Dezembro de 2006

Os Amigos de Sobral Gordo

O acaso colocou-nos em frente do sr. João Francisco dos Santos Alves de Matos, na altura precisa em que, reunidos em volta da mesa dum café, se discutiam os problemas relativos ao aparecimento desta publicação.
Estranho à aldeia de Sobral Gordo até há poucos meses, a ela se ligou, recentemente, pelo casamento. Não obstante, há mais de dois anos que, gentilmente contribui, com a sua quota para a Comissão de Melhoramentos.
Esteve há pouco tempo em Sobral Gordo...
E, como não podia deixar de ser, quizemos que nos confiasse as suas impressões do que viu e sentiu na semana que por lá passou.
- Diga-nos, Sr. Matos, já conhecia o Sobral Gordo?
- Não, não conhecia. Ou melhor, a amizade e quase permanente contacto com o Duarte, grande entusiasta pela sua querida aldeia, fez criar em mim uma certa predilecção por ela, através do que me contava e de fotografias, com as quais ilustrava o que me dizia.
- Qual foi a sua primeira reacção, isto é, a impressão que teve ao chegar a Sobral Gordo?
- Senti que não entrava em nenhuma aldeia, nem cidade, mas sim no meio de um aglomerado de casas onde todos se conheciam e tratavam como família; mais tarde, cheguei à conclusão que havia entrado no seio de uma grande família, que é a sobralgordense.
No aspecto da natureza, Sobral Gordo, está de facto situado, numa região lindíssima, que em certos lugares se assemelha à Suiça, centro mundial de turismo.
- Sobral Gordo é, perdida nas serranias, longe dos grandes centros populacionais e industriais, uma aldeia pobre. Mas, diga-me parece-lhe que, não obstante estas condições, poderia Sobral Gordo estar mais beneficiado pelo progresso?
- Sim, acho que o Sobral Gordo merece uma estrada, que neste caso deveria ser a ligação com Pomares da nova estrada que chega à Mourísia.
Desta maneira, poderia vir a ter-se ligação entre o Monte Frio e Pomares por camionagem, disso muito beneficiariam o Sobral Gordo e até, o seu irmão Magro, pois estariam por dois lugares opostos abertas portas para todo o país e, consequentemente, para todo o mundo. Não mais se teria um Sobral Gordo longe de Lisboa ou do Porto, pois os transportes do longe fazem perto; nem perdido nas serranias, pois partindo do Algarve ou do Minho, lá chegaria sem me preocupar com o caminho. Eu, como alfacinha de gema e amigo do vosso berço natal, gostaria de o ver dotado desse melhoramento notável e indispensável, para quem uma vez o usa, que é a iluminação eléctrica, que já está a chegar a Pomares. Mas isso, não depende, infelizmente, do sobralgordense mas, sim, de outras forças.
- Conhece a acção e o fim da Comissão de Melhoramentos. Que pensa da sua influência sobre os sobralgordenses?
- Penso que é uma iniciativa digna dos maiores elogios, pois representa não só um belo esforço em prol do desenvolvimento do seu torrão natal querido, do que todos beneficiarão, mas é também um elo de ligação entre os sobralgordenses que estão dentro e os que estão fora.
O novo edifício escolar, por exemplo, era impossível, por ora, sem a iniciativa da Comissão. Um verdadeiro oásis que, excluindo algumas escolas particulares, não é fácil encontrar em Lisboa uma com tanto conforto.
- Necessário é que as iniciativas da Comissão sejam sempre acarinhadas e que o objectivo de todos seja o mesmo:
"ELEVAR E DIGNIFICAR A SUA TERRA".

José Duarte dos Santos, Boletim Sobralgordense, Outubro de1958.

publicado por Boletim Sobralgordense às 18:11
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Segunda-feira, 25 de Dezembro de 2006

Sobral Gordo

A origem de Sobral Gordo perde-se na noite dos tempos. Aldeia das mais populosas e belas da freguesia de Pomares e, também, uma das mais progressivas, graças, em parte, à acção da Comissão de Melhoramentos local que, nestes últimos anos vem operando maravilhas na transformação da fisionomia do gracioso burgo.
Plantada numa das encostas da serra do Açor, é escoltada a norte por majestosos e seculares castanheiros que lhe emprestam um ambiente de indizível beleza e frescura e, a sul, um interminável olival completa o cerco, dando-nos a ideia de um vasto e formoso jardim, abraçando o casario velho de séculos, berço de gerações sem fim, onde velhas casas de pedra negra e nua, a desfazer-se em pó, alternam com modernas e alvas construções erguidas nesta última década, num contraste perfeito de policromia e arte, como que numa afirmação não desmentida dum progresso real e afectivo.
Como pano de fundo, temos a poente, bem junto do povoado, extensos e frondosos pinheirais, verdadeiro manancial de riqueza e autêntico pulmão do aglomerado populacional; e, a nascente na encosta íngreme e escaborosa, os típicos cômoros  e assentadas serpenteiam através de vales e outeiros.
Aqui, temos nós a verdadeira fonte de subistência deste laborioso povo, pois é nestas terras de difícil acesso, fertilizadas pelas águas da ribeira da Mourísia, que colhe desde o milho ao feijão e até aos pastos, indispensáveis à manutenção dos gados, que tanto contribuem para o equilíbrio económico-financeiro do seu modestíssimo nível de vida.
Feita a descrição da terra, cumpre-nos falar também da sua gente: o sobralgordense, é extremamente amigo da sua terra e, por isso, vive intensamente os seus problemas, qualquer que seja o lugar do país ou do mundo onde viva.
Gente de bem, ordeira e trabalhadora, busca na paz do campo o pão de cada dia, com um ardor e resignação que impressionam.
As suas casas, humildes, são autênticos Santuários donde o esmoler não sai de mão vazia nem o visitante sem guarida. As suas almas simples puras - como puro é tudo o que as rodeia - elevam-nos perante Deus e o seu generoso coração, repleto de amor e bondade, torna-os dignos do nosso maior respeito e apreço, e de serem filhos dessa para nós inegualável aldeia que denominamos SOBRAL GORDO!

António Domingos, Boletim Sobralgordense, Outubro de 1958.

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publicado por Boletim Sobralgordense às 00:50
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Domingo, 24 de Dezembro de 2006

A Queima do Cepo

Ao aproximar-se a quadra festiva do Natal, não podemos deixar de voltar o nosso pensamento aos primeiros anos da nossa juventude, vivida despreocupadamente no Sobral Gordo.
Dias antes da Noite Grande, já a rapaziada ia localizando a lenha grossa para a monumental fogueira, que deveria arder durante dois dias no adro da Capela.
As cepas dos velhos castanheiros, ou grandes toros de pinheiro, eram dispostas em enorme pira para, às primeiras horas do dia 25 de Dezembro, se iniciar o braseiro. Enquanto uns cuidavam da fogueira, outros, acompanhados de bizarra tocadeira, davam volta à povoação, batendo a todas as portas e pedindo chouriços que enfiavam num varapau, e levavam para o adro, onde o fogo já devorarava as cepas.
Ali as assavam e comiam em alegre confraternização, durante uma velada que durava a noite inteira.
O braseiro durava mais alguns dias, servindo de ponto de reunião obrigatório e para os mais friorentos se aquecerem dos rigores do frio, simbolizado pela neve que nessa altura encima invariavelmente os outeiros ou cabeços.

Boletim Sobralgordense, Dezembro de 1958.

 

 
publicado por Boletim Sobralgordense às 10:00
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Sábado, 23 de Dezembro de 2006

O Nosso Jornal

Eis a expressão que nós gostaríamos de ouvir da boca de todos quantos tiveram o seu berço no nosso querido torrão natal.
"O nosso jornal", que hoje veio, pela primeira vez, à luz da publicidade, não é, de maneira alguma, um grande jornal... mas, É NOSSO!
Será, dentro das nossas forças, o som da nossa voz, o porta estandarte dos nossos ideiais, o símbolo do nosso querer!...
... Será o porta voz dos nossos projectos, as nossas colunas abrir-se-ão a todas as boas vontades, desses projectos, que doutra maneira, estariam condenados, na sua maioria, a perecerem no olvídio.
Será bom ou mau?!
O futuro o dirá!...
Porém, uma coisa será certa: êle será aquilo que vós, caros leitores amigos, quizeirdes!
A nossa vontade é grande.
Anima-nos a chama da esperança que não vacila ao vento forte das contrariedades e a vontade enorme de fazer mais e melhor!...
... Têm nas vossas mãos o primeiro exemplar do "vosso jornal".
... que êle seja a expressão do vosso pensamento é o desejo dos que esquecendo toda a espécie de contrariedades meteram ombros à empresa.
Ficam no ar os desejos de agradar e no nosso pensamento a esperança de que a nossa divisa seja sempre uma realidade!
MAIS E MELHOR!...

José Duarte dos Santos, Boletim Sobralgordense, Outubro de 1958.

publicado por Boletim Sobralgordense às 00:10
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